Barradas na Recepção

Chegamos na ilha no finalzinho da tarde e nossa primeira impressão sobre esta terra distante foi o visual desértico, empoeirado e desolado do terminal onde as balsas chegavam. Pouco depois de começarmos nossa última viagem de carro até nosso destino final, o sol se pôs e o lugar ficou quase que assustadoramente escuro. Não havia luz elétrica para iluminar as ruas e nenhum comércio à vista. Quando finalmente caímos no sono, bem depois da meia-noite, nós não fazíamos ideia que acordaríamos com uma vista maravilhosa como esta.
No decorrer da viagem percebemos que esse era um daqueles lugares que são perfeitos a qualquer hora do dia, mesmo estando em constante mudança. A variação de marés era drástica, os ventos mudavam de hora em hora e a luz do dia mudava de um azul claro pela manhã para um incrível dourado no final de tarde. Nós surfamos e conseguimos pegar algumas ondas divertidas. Com a variação da maré, durante a enchente, tínhamos que esperar mais tempo pelas séries. Em alguns momentos torcer para as ondas entrarem. Já durante a maré secando a bancada começava a ficar exposta e as ondas mudavam completamente, com paredes lisas, longas e sessões tubulares...
Alguns quilômetros adiante do último pico que surfamos havia outro point com bom potencial. Com a maré certa parecia que seria divertido surfar ali e esse local ofereceria algumas sessões bem manobráveis. Acabamos passando um tempo por ali, e como você vai ler na história abaixo, Alana acabou tendo que subir o tom da voz para garantir algumas ondas quando as séries estavam mais demoradas.
Nikki estava deslumbrada com esse ambiente maravilhoso como pano de fundo. Era surreal sentar ali no lineup, olhar para a terra e não ver nada além de areia branca e árvores até onde os olhos conseguiam enxergar.
Tyler não estava muito exigente dentro d´água. Ela não estava buscando a melhor onda, mas o máximo possível de ondas. Ela só queria surfar... e como queria! Se houvesse um prêmio de “mais fominha”, esse prêmio seria dela com certeza.
A abordagem de Tyler nas ondas funcionou muito bem. Nada mal… um aéreo reverse como recompensa por um dia duro de trabalho!
Entre idas e vindas em busca das ondas, alguns momentos eram hilários! Não conseguimos tirar uma foto, mas, numa tarde depois de uma sessão de surf nós nos deparamos com um rebanho de bodes atravessando a estrada. Um deles tinha (o que achávamos que fossem) bolas nas partes íntimas tão baixas que elas arrastavam no chão. Conversamos com algumas das crianças locais e elas disseram que o bode era na verdade uma fêmea, uma cabra, e aquelas eram suas tetas. Talvez essa informação fosse demais para processar naquele momento, mas olha, esse é o The Search… e você nunca sabe o que vai encontrar.
Embora não houvesse muitas pessoas por perto, as que nós encontramos foram algumas das mais gentis que jamais conhecemos. Elas nos indicavam o caminho certo e nos levavam até as praias e ondas secretas. Nos davam uvas e nozes e se ofereciam para nos transportar em seus barcos. Elas não tinham nada, mas queriam nos dar de tudo.
Passamos por um belo cenário no caminho até uma cachoeira (algo que um dos locais que vivia perto da cidade também teve a gentileza de nos mostrar), e enquanto as garotas admiravam a vista, os fotógrafos penduraram suas câmeras fora das janelas e torceram pelo melhor. Como se pode ver, algumas vezes são as imagens nas quais você não pensa muito que saem com a melhor composição.
A cachoeira foi um lugar especial. Os minerais contidos na água pareciam ter propriedades curativas, melhorando as picadas de mosquito que tínhamos tomado no meio do caminho e refrescando nosso calor. Esta é Nikki, desfrutando.
Tyler Wright, cortando um pedaço do seu biquíni “indigo dreams”. Sim, às vezes menos é mais...
Nikki van Dijk foi apelidada de “Rainha do Tubo” nessa viagem. Ela de fato bem que mereceu esse título. Ela conseguiu um tubo com duas sessões bem deep logo no segundo dia da viagem. Garota de sorte!
Passamos bastante tempo desfrutando dessa vista ao longo da semana em que estivemos no The Search. Por que? Porque em quase toda sessão, Tyler era a última a chegar. A van já estava carregada. Alana e Nikki já estavam prontas para cair na estrada e Tyler ainda estava fazendo as malas.
Durante uma sessão tranquila em um final de tarde, o alarme de tsunami começou a soar. E não parou. A maré estava baixando, e embora não parecesse ser nada mais drástico do que o normal, ninguém achou que aquilo fosse apenas um treinamento ou algo assim. As garotas sentaram no lineup e decidiram, após muita conversa, que se um tsunami estivesse realmente a caminho, elas iriam continuar surfando até que a onda as alcançasse e elas dariam o joelhinho para passar por baixo dela... Quando estávamos indo embora, um surfista se aproximou e perguntou, “A maré fica sempre assim tão baixa”? Tivemos que rir.
Um dos melhores dias da viagem, disparado, foi o dia em que andamos de scooter. Foi a Tyler quem sugeriu que procurássemos pelas redondezas, e ela também foi a primeira a mudar de ideia quando viu que poderia alugar uma verdadeira moto off-road. “Scooters”? Quem pilota scoooters !? Eu quero uma máquina de verdade”!
Alana tinha definitivamente menos confiança ao pilotar a moto do que a Tyler (embora ela também adorasse isso), especialmente quando percebeu que ficar desviando de vacas no meio da entrada ia acabar não dando certo…
Conforme a viagem se aproximava do fim, a ondulação tinha começado a desaparecer, mas com ajuda local e planejamento, ainda conseguimos surfar e nos divertir novamente na nossa direita favorita. Alana não se importava com o tamanho das ondas. Ela havia encontrado o que veio buscar.
NVD, se posicionando para uma das melhores ondas do dia. Ela realmente soube como escolhê-las nesta viagem, e atribuiu isso ao fato de que muitas das ondas do local a faziam lembrar de um pico em sua cidade natal, em Phillip Island. Ela se recusou a revelar o nome daquela onda.
Como você pode perceber nesta foto, haviam correntezas bem fortes no oceano. A maioria das pessoas normais ficaria longe... bem longe dali. Mas não a Tyler! Se a correnteza estava formando uma onda boa, Tyler iria atrás dela sem nem sequer pensar duas vezes a respeito.
Essa imagem foi difícil de conseguir. Não parece, mas durante esta sessão de saltos do penhasco, a maré estava subindo muito rápido. Ficamos agarrados às rochas e tivemos que segurar firme nas pedras para salvar nossas próprias vidas. O homem por trás das lentes nesta foto... bem, suas mãos estavam ocupadas... então assim que pressionou o botão e registrou esse momento, ele se chocou contra as rochas. Apesar do cotovelo todo ensanguentado, ele não parecia estar muito preocupado com isso pois a foto tinha ficado irada!
Lembra quando dissemos que a maré variava muito? Muito a ponto que poderia gerar preocupação em algum inocente turista achando que fosse realmente um tsunami chegando!
Essa foto resume bem essa expedição do Projeto The Search. Nada foi levado a sério. Tudo foi inesquecível. E mesmo quando as ondas não apareceram a diversão foi contagiante.
Ah, lembra daquelas motos mencionadas anteriormente? Bem, ninguém jamais deveria deixar a Nikki assumir a pilotagem de qualquer veículo motorizado, principalmente com apenas duas rodas! Jamais! (desculpa Nikki, mas você sabe que é verdade…).
Felizmente, suas habilidades como piloto pareciam não afetar suas habilidades dentro d´água. Nikki detonou durante toda viagem – ela se adaptou, já que essa é a primeira vez que ela realmente encontrou seu lugar no World Tour, sem lesões e pronta para ser protagonista durante as competições.
Já faz algum tempo que Alana está fora do circuito, e isso realmente está começando a fazer bem para ela. O nível de surfe que vinha de suas pernas vegetarianas estava muito acima do que normalmente ela apresentava durante uma bateria. E ela parecia muito contente com isso.
Foi uma expedição inesquecível e quando o último sol se pôs, foi a melhor forma de encerrá-la. Até o nosso próximo encontro, continuem no The Search!

Inesperada. Distante. Isolada. Desconhecida. Há um milhão de maneiras diferentes de descrever esta viagem, mas talvez a mais adequada seja dizer que ela foi totalmente diferente de qualquer outra expedição que nossa equipe feminina já tenha participado. Essa é a natureza de uma viagem do projeto The Search. Você nunca sabe o que vai encontrar.

Tudo começou em Huntington Beach, na Califórnia, onde parte da nossa equipe feminina formada pelas lindas atletas Alana Blanchard, Tyler Wright e Nikki Van Dijk tinham acabado de passar duas semanas em meio ao caos do US Open, um dos campeonatos mais badalos do mundo. No dia seguinte ao término da competição, o único plano delas era seguir para o aeroporto e decolar rumo a uma viagem do Projeto The Search.

A questão é que elas não sabiam para onde estavam indo e dessa forma, não tinham nenhuma expectativa do que iriam encontrar. Tudo o que elas sabiam era que precisariam estar no aeroporto internacional de Los Angeles com as malas feitas e prontas para partir.

Elas acordaram às 3h30 da madrugada, quando os alarmes de seus telefones dispararam. Pranchas e mochilas foram jogadas para dentro do carro e Alana, Tyler e Nikki partiram rumo ao aeroporto. Sem expectativas e apenas com os vouchers que seriam trocados por passagens aéreas em mãos. A única informação que tinham era que a viagem duraria cerca de 72 horas até o destino final.

“É sério… a gente realmente não fazia ideia que viríamos para esse lugar até um dia antes da viagem”, disse Nikki. “Estávamos nos EUA pensando, “Ok, será que a gente deve encarar isso mesmo”? Mesmo enquanto dirigíamos até o aeroporto não sabíamos para onde estávamos indo. Tudo que eu sabia era que estaria ao lado da Tyler e da Alana e que eu iria acompanhá-las nessa trip… era rezar e esperar pelo melhor”.

Você não sabe o que vai encontrar. Você apenas deixa as coisas acontecerem. Foi muito emocionante estar em mais uma viagem do Projeto The Search – Alana Blanchard

Em seguida embarcamos… foram três aviões, dois carros, um ônibus, um barco, uma noite na Austrália e outra em Kuta, na Indonésia. Quando chegamos ao destino final, já passava da meia-noite. Na verdade não tínhamos muita noção das horas. Após três dias em trânsito, você não consegue pensar direito. Seu corpo está cansado e o sono te domina. Seus pensamentos não são coerentes.

É engraçado pois a maioria das pessoas pensam em viagens longas como uma coisa desgastante, ou um mal necessário. Mas para este destino, isso não era apenas uma questão de logística, era parte da viagem propriamente dita. Isso impediu que fizéssemos qualquer tipo de plano. Tudo era desconhecido.

“É muito emocionante entrar em um avião e não saber para onde você está indo”, diz Alana. Estamos sentadas em um sofá de um restaurante em uma das últimas noites da viagem. Ela está comendo uma salada vegana e vestindo uma camiseta do ACDC. Estou bebendo uma Bintang levemente quente ao lado dela, e o resto da equipe dispersou-se pelas outras mesas.

“Você não sabe o que esperar numa viagem dessas”, ela continua enquanto mergulha uma cenoura no molho de amendoim e depois dá uma mordida. “Oh, meu Deus, isso é tão bom! “Então… você não faz ideia. Você não sabe o que vai encontrar. Você apenas deixa as coisas acontecerem. Foi muito emocionante estar em mais uma viagem do Projeto The Search”.

Escolhemos esse destino por causa de uma boa previsão nos mapas de ondulação. Previsão que fez a gente sonhar com uma esquerda dos sonhos, da qual tínhamos somente ouvido falar. Nos primeiros dias, mantivemos a esperança. Todos os dias conferíamos as condições das ondas. Tentávamos enxergar a onda no final da bancada de coral esperando ver uma série tubular quebrando. Mas o tempo passava e nada daquela esquerda mágica aparecer. Então pegamos a estrada de volta e saímos em busca de outra onda, em outra bancada… Outro lugar para cair na água.

 

 

Na maioria das viagens isto poderia causar uma certa angústia. Surfistas com grandes expectativas ficariam de saco cheio.

Haveria um monte de pensamentos do tipo, “Por que tivemos o trabalho de vir? ” Mas não pensávamos assim. A gente apenas entrava no carro novamente para seguir até outro local, outra praia secreta, e estava tudo bem. Passamos por um morro e fomos contemplados por outro pico, só que dessa vez um beach break. Nada de especial mais uma vez. Só de explorar a região dando boas risadas já era suficiente para nós. Nenhum dia passou em branco sem que a gente tivesse aproveitado. O visual desse lugar é incrível!

“Sabe”, disse Nikki, “tem sido uma viagem divertida em busca das ondas. Não tivemos muita sorte até agora, porque a esquerda incrível que viemos pegar, não apareceu.

 

 

Viajar em busca de ondas perfeitas, vento terral e pouco crowd é o sonho da maioria dos surfistas, mas sinceramente é um pensamento bem restrito. Há tanta coisa envolvida na busca que você pode aproveitar além do surf. O excesso de expectativa pode estragar toda a experiência de uma surf trip.

“Se você faz uma viagem focado em conseguir surfar uma onda, uma condição específica e canaliza suas expectativas somente em cima disso, sua chance de voltar frustrada é enorme. Mas em uma viagem como essa não… Nós chegamos aqui e fizemos o que queríamos. Exploramos o lugar, conhecemos uma cultura completamente diferente. Estávamos focadas em nossa própria busca, e não numa única expectativa. Aliás, não tínhamos expectativa nenhuma quando saímos de Los Angeles… Nós nem sabíamos para onde estávamos indo! E o negócio é o seguinte… você nunca sabe exatamente o que vai encontrar. Acho que esta é a melhor parte de tudo isso”.

Com o passar dos dias, a viagem se transformou. Nos divertíamos com a companhia uma da outra. Brincávamos com qualquer coisa, com qualquer um que cruzasse nosso caminho. Surfamos as ondas que haviam por ali. Dormimos quando queríamos, saboreando o isolamento e relaxando.

Batizamos nossos sucos frescos com vodca e ficamos acordadas até tarde da noite assistindo a vídeos de surfe na recepção do hotel. Ficamos curtindo na recepção durante horas, pegando os bits e bytes de Internet que pareciam que iam e vinham na velocidade de uma tartaruga com sono. Praticamente ficamos barradas na recepção daquele hotel buscando o que fazer durante a noite. Conhecemos cachoeiras, desatolamos algumas vezes nosso carro da lama, escalamos morros e procuramos encostas para saltar. Deitamos na praia, tomamos sol e brincamos em qualquer condição de surf que aparecia. Entrávamos no mar, pegávamos uma onda e saíamos. Um pouco de sol na praia, outra onda… bebíamos água de côco… Apostávamos corrida na praia, outra onda… depois dormíamos um pouco.

Esta viagem não teve nada a ver com a busca pela perfeição (embora tivéssemos encontrado muitas coisas perfeitas no meio do caminho). Não tinha a ver com acertar em cheio. Não tinha a ver com competição ou preparação. Tinha a ver com dar um tempo em nossas rotinas e curtir o máximo possível.

Esta é a Tyler, que teve os 12 melhores meses de sua vida, tanto pessoalmente quanto profissionalmente. A Alana está aprendendo a estabelecer uma vida sem competições no circuito mundial. A Nikki está pela primeira vez encontrando seu ritmo no World Tour, sem lesões. Três momentos de vida bem diferentes. Três perspectivas de como ver as coisas. E todas elas trocando experiências entre si.

Está claro que Tyler amadureceu muito desde 2015. Mesmo antes do acidente do Owen e dela querer seu primeiro Título Mundial. Alana e Nikki inspiravam-se nela para tomar algumas decisões e para falar as coisas sem rodeios.Quando chegava a hora de surfar, Alana brilhava. Onda após onda ela se jogava e dava seu melhor, mandando cutbacks e cavadas com uma força que você jamais imaginaria que ela tivesse naquelas perninhas miudinhas alimentadas com vegetais. Ela mudava dentro d´água. Em um dia, depois de ter sido rabeada mais de uma vez por um surfista que elas tinham visto durante alguns dias surfando no mesmo local, Alana gritou tão alto atrás dele que o cara simplesmente ficou sem reação e foi embora.

 

 

Se houvesse um jeito de dar um puxão de orelha em alguém com classe, Alana tinha descoberto esse jeito.

Eu nunca tinha visto ela surfar tão bem quanto nesta viagem. E essa é a prova de que ela finalmente estabeleceu um estilo de vida não competitivo e aceitou que sua carreira como surfista profissional precisava tomar um novo rumo fora das competições.

Nikki, a mais nova do grupo, claramente via Tyler e Alana como grandes exemplos de mulheres bem sucedidas. Mas ela não queria ficar para trás durante as sessões de surf. Dava para ver aquele instinto competitivo no rosto dela quando Tyler passava remando ao lado, ou pegava a maior onda da série. “Ver a Alana e a Tyler quebrando as ondas me fez pensar “Caramba, vamos Nikki, reme mais rápido! Surfe mais forte”! Surfar ao lado dessas garotas realmente exige mais de você. É incrível aprender com elas. “Quando a Tyler mandava uma manobra irada bem na minha frente ou a Alana passava acelerando com uma velocidade incrível por mim, não tenho como explicar minha felicidade em estar ali, aprendendo com elas. Nós não temos muitos momentos como estes, mas quando temos, é incrível”.

Tyler não pensou duas vezes quando respondeu minha pergunta: Qual foi sua parte favorita da viagem? “Foi curtir com as garotas”, ela respondeu. “Não fomos pressionadas por ninguém. Foi demais se desconectar de qualquer pressão do circuito mundial e pensar apenas qual seria o próximo lugar onde encontraríamos uma encosta para saltar ou qual seria a próxima cachoeira que iríamos visitar. Foi demais poder relaxar e ainda surfar algumas ondinhas divertidas. O surf ficou em segundo plano durante essa viagem, mas eu não estava nem ai para isso!“

Veja a Cachoeira que encontramos. Essa cachoeira foi uma das melhores experiências da viagem para mim. Nós a encontramos quase que sem querer, mas ao mesmo tempo, foi perfeito.

 

 

Estávamos andando pela trilha e só ouvindo o barulho da água caindo. Não dava para ver se era só uma quedinha d´água ou uma cachoeira de verdade. De repente a gente chegou lá e viu aquela cachoeira linda, intocada. Isso realmente tira você daquele mundo onde tudo é rápido, superficial e previsível

“Ao sentar ali debaixo da queda d´água, com a cabeça completamente tranquila, você se abre a esse grande mundo que existe em volta de você. Ao mesmo tempo, você percebe que as melhores coisas da vida são mesmo as mais simples. Você está sentada ali numa pedra, com a água das montanhas correndo sobre você. É demais. É relaxante. É um mundo tranquilo. Realmente não é preciso pensar em mais nada além daquele momento, e naquele momento você realmente consegue não pensar em nada”.

Talvez, numa viagem como esta, esse seja o significado do The Search. Encontrar sua própria busca interior. Sem esperar nada. Dar um tempo do mundo que você conhece já é o suficiente.

Perguntei para a Alana se ela achou que a viagem valeu a pena, ainda que a ondulação com a qual contávamos nunca tivesse aparecido. Tenha em mente que quando perguntei isso, ela estava prestes a encarar outra viagem de três dias de volta para casa. “Viajar para um lugar como este? Vale a pena com certeza! Definitivamente. Você não consegue encontrar lugares como este perto da sociedade. Hoje em dia, é preciso viajar muito se quiser ir a lugares que ainda não foram vistos, lugares intocados. É preciso ir um pouco mais além, e se topar fazer isso, vai valer muito a pena. Você vai vivenciar coisas que não vivenciaria em nenhum outro lugar. É natural, é lindo”.

 

 

Não sabíamos o que ia acontecer quando aceitamos fazer esta viagem. E no caminho de volta para casa, quando tivemos um atraso de oito horas e quase perdemos nossos voos, correndo de aeroporto em aeroporto, nós ainda não sabíamos.

Nunca encontramos o que havia sido originalmente planejado para aquela viagem. Nunca chegamos a ver aquela esquerda dos sonhos quebrando. Mas encontramos algo completamente diferente.

Essa é a natureza e a beleza do The Search – você nunca sabe o que vai encontrar. E é isso que faz você querer mais e mais, a todo momento, pois o The Search nunca termina.