Os branquelos (Parte 1)

Não tinhamos nenhuma garantia que encontraríamos as ondas que estávamos procurando. A única certeza era que a viagem seria longa e que iríamos nos deparar com pessoas exóticas e uma cultura totalmente diferente da nossa.
Estávamos apreensivos com a recepção que teríamos ao chegar em um lugar tão isolado. Chegaríamos em meio a um período de celebrações desse povo desconhecido. Sempre existe uma grande tensão nessas ilhas devido as constantes disputas territoriais e conflitos permanentes envolvendo a cultura Islâmica e suas divergências políticas e religiosas.
O barulho ensurdecedor das buzinas e o caos em torno de centenas de pequenos veículos tentando atravessar um cruzamento deixou claro que estávamos em um lugar ambiente quase alienígena. Nossa presença era percebida por todos ao redor, já que grandes capas de prancha no teto do carro não era uma visão comum para aquelas pessoas.
Enquanto aguardávamos pelas licenças para seguirmos rumo às ilhas vimos elefantes no meio da rua com pessoas em cima deles como se fossem cavalos.
Mais tarde vimos alguns elefantes sendo banhados pelos seus criadores nas margens de um rio. Eles esfregavam aqueles grandes animais com escovas gigantes como se estivessem em um pet shop.
Pescadores dividiam o mesmo espaço com os criadores de elefantes. Eles lançavam redes triangulares na água em busca dos peixes que seriam possivelmente o jantar deles.
Então eu disse, “Que lugar é esse? Parece um show de circo ao vivo e à cores!”
Cerveja era um bebida escassa, portanto tomávamos chá, o que claramente era uma herança do regime britânico que dominou essa região por muitos anos.
Mais uma evidência da colonização britânica… “Duas colheres, certo?”
Após três dias de espera comecei a acreditar que as permissões para continuarmos nossa jornada não sairam. Os representantes do governo eram claramente corruptos e começamos a pensar quanto eles pediriam para liberar nossas licenças. Felizmente, no final de tarde eles apareceram com a papelada e estávamos liberados para partir na manhã seguinte… mas para onde?
Enquanto seguíamos na estrada as cores da água gradualmente iam mudando do marom acinzentado para um azul claro e finalmente para um azul turquesa. Passamos a relaxar imaginando que finalmente estávamos saindo daquela loucura rumo a um lugar muito mais bonito.
Pousamos em uma pequena ilha não muito maior do que alguns campos de futebol de comprimento. Fomos encaminhamos para um novo posto de segurança onde nos deparamos com guardas fortemente armados que nos escoltaram até nosso próximo meio de transporte.
Finalmente estávamos nos preparando para encontrar as ondas. Rapidamente percebemos que aquelas pessoas nunca haviam visto surfistas antes, e a multidão continuou nos seguindo pelas ruas.
Bem ao sul da ilha, alguém avistou de longe uma pequena ponta de coral com algumas espumas que pareciam promissoras. Dirigimos rumo a ponta da ilha e para nossa alegria, ficamos muito felizes com o que encontramos.
Estávamos na ponta de uma cadeia de montanhas que submergia rumo ao fundo mar formando uma bancada de corais rasa junto a uma lagoa com água cristalina do lado oeste.
Enquanto analisávamos nossa recente descoberta as pessoas da comunidade local começaram a se reunir em torno da gente. Uma mulher de burca colorida começou a nos encarar com um olhar curioso.
A ondulação de curto periodo fazia a curva na ponta da bancada de coral onde justamente o vento virava terral. Essa combinação formava uma pequena onda perfeita para esquerda criando pistas lindas de um metro de tamanho e muito divertidas.
“Eu acho que eles nunca viram na vida pessoas em cima das ondas” disse Luke Hynd após surfar pela primeira vez aquele pico virgem e distante.
"Eu acho que eles nunca viram na vida pessoas em cima das ondas"
“Só de mostrar pela primeira vez o que é o surf para essas pessoas já foi algo especial.” Luke dando um show para a multidão curiosa.
Pat Curren, filho do lendário surfista e “mestre do estilo” Tom Curren já começou a seguir os passos do pai na busca por ondas desconhecidas.
“A gente tinha nossa própria torcida local, disse Pat. Eles nos olhavam como se fossemos alienígenas branquelos. Eles eram engraçados. Espero que eles possam começar a praticar o surf um dia.”
Pat, livre, leve e solto nas ondas.
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Aproveitando a liberdade após uma descoberta totalmente nova. Uma coisa rara nos dias de hoje.
“Dillon é um cara inteligente. Ele faz coisas inesperadas como solucionar equações matemáticas e contas de trigonometria entre suas sessões de surf. Ele não é muito ligado nas redes sociais e coisas desse tipo,” diz o fotógrafo Dave Sparkes após passar alguns dias ao lado de Perillo.
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“Dillon explica como a onda é diferente nesse pico… “Você nunca sabe o que vai acontecer, já que existe um balanço estranho na onda devido a um reflexo de ondução que faz com que ela de repente dobre de tamanho…”
“Curvas estilosas e um ótimo jogo aéreo fazem parte do repertório de Dillon, mas em raras ocasiões ele apenas acelera e faz um linha diferente que você imaginaria.
Após essa incrível descoberta e de uma primeira sessão surpreendente, nossas expectativas sobre esse local aumentaram pois descobrimos uma ótima onda logo após nossa chegada na ilha e agora tudo parecia possível. Quem sabe o que poderia estar nos esperando mais adiante, já que embarcaríamos em breve e navegaríamos rumo ao horizonte. Fiquem ligados para a próxima parte dessa aventura na terceira semana de janeiro 2016.

Assim como muitas outras expedições do The Search, essa começou com um boato sobre algumas ilhas remotas em algum lugar exótico.

A distância e inacessibilidade dessas ilhas aumentaram nossa expectativa em relação ao que poderíamos encontrar. Muitas viagens do The Search foram realizadas a partir de mitos e lendas sobre condições perfeitas de surf. Algumas foram épicas, outras frustantes.

Quando a previsão de uma onda perfeita aparece, você precisa tomar uma decisão. E nós tomamos… Fizemos as malas e partimos, rumo ao desconhecido.

Fotos de Dave Sparkes e Ted Grambeau. Video de Scott Mclimont e Tom Jennings.