Os branquelos (Parte 2)

A busca. A verdadeira busca sempre vai trazer suas recompensas. Com esse espírito fomos descobrindo lugares incríveis, pois todas as ondas surfadas eram virgens e isoladas, tão puras quando as lindas ilhas com praias de areia branca e suas lagoas de água com cinquenta tons de azul. Luke e Pat logo se jogam de cabeça.
“Você automaticamente pensa, ´’Vamos encontrar mais uma onda perfeita a qualquer momento, talvez uma parecida com Pipeline só para nós”, mas logo você percebe que essa é uma situação muito rara.
… Essa não é somente uma expedição para encontrar ondas perfeitas e sim uma grande oportunidade para registrar tudo o que acontece enquanto estamos procurando”. Dillon Perillo.
“Eu acho que eles nunca viram ninguém como a gente antes na vida,” Luke Hynd.
“É preciso ter paciência e estar aberto para aproveitar de outras formas as novas experiências que aparecem durante a busca...
Bermudas Água
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“Being really patient and being open to trying new things”
...E quando as ondas aparecem, bom… ai recebemos o prêmio que a gente fica esperando todos os dias…” Pat Curren.
Nosso meio de transporte para o próximo pico perfeito era coisa de outro mundo. Centenas de metros de comprimento e oito andares de altura. Parecia uma versão antiga do Barco do Amor. Os Branquelos subiram a bordo sem pensar.
Havia um grande píer de concreto e junto a ele centenas de locais. Eles nos levaram em pequenos barcos até terra firme.
Muitas vezes eles ficaram sobrecarregados com tanta bagagem. Eles poderiam afundar a qualquer momento.
De um barco para o outro. Os rapazes encontraram uma onda que tinha sido criada à partir de uma grande catástofre.
Escrito na proa do navio naufragado estava o nome: “Nand Aparajita”. A tradução em Português é uma grande ironia, que quer dizer: “Inconquistável”.
Pedaços sinistros remanescentes da jornada final do navio estavam expostos na praia bem em frente ao naufrágio.
No outside, esses pedaços sinistros formavam trincheiras de metal com diversas pilastras enferrujadas que pareciam com uma visão do inferno ou com barbatanas de tubarão de metal prontas para colocarem um final trágico na viagem dos Branquelos.
Uma vaca no lugar errado significaria um bela cicatriz no futuro, se você tivesse tido sorte de sobreviver.
Apesar do fundo de metal enferrujado, Dillon Perillo estava mais preocupado em surfar a onda até o final.
Em viagens que fiz quando era mais jovem, eu apenas colocava o fone de ouvido entre as sessões de surf e não prestava atenção em nada ao meu redor...
Agora que estou um pouco mais velho, aproveito mais. Estar em lugares novos em meio a culturas e lugares diferentes é incrível.
...Eu estava comendo molho curry já fazia três semanas e normalmente no passado, já estaria reclamando. Agora quero aproveitar cada momento.” Dillon Perillo está ficando mais esperto e aproveitando ao máximo cada nova Search Trip que ele faz.
Era difícil saber se teríamos um dia bom ou ruim nesse pico. As vezes a onda parecia com algumas que tínhamos deixado para trás e nem parado para ver. A busca. A verdadeira busca sempre trás suas recompensas. Com esse espírito fomos descobrindo lugares incríveis, pois todas as ondas surfadas eram virgens e isoladas, tão puras quando as lindas ilhas com praias de areia branca e suas lagoas de água com cinquenta tons de azul.
A condição da onda variava bastante. As vezes estava terral e lisa, outras vezes mexida e fechando. Tudo isso no mesmo dia, várias vezes por dia. As boas, eram como pistas de skate. O bom era saber que nenhum yatch iria ancorar no pico com alguns caras se achando locais para dividir os bons momentos que rolavam. Luke desenhando linhas fortes na parede da onda.
Apesar dos rapazes estarem junto com dois guias mulçumanos locais, que eram muito simpáticos, logo eles perceberam que a comunidade da ilha tinha percebido que algumas pessoas bizarras de algum circo distante estavam na área.
Após alguns dias eles viraram celebridades. Luke Hynd performando e fazendo truques de malabarismo para os locais.
“Fiquei super empolgado,” disse Pat. Não consigo ficar na praia muito tempo. Aquela onda junto ao navio naufragado era muito divertida.
...Até as ondas que não eram perfeitas, nós conseguíamos aproveitar bastante, pois sabíamos que ninguém iria aparecer e sentar do nosso lado no outside. Gosto muito dessa sensação. Acho que nunca tinha surfado uma onda inexplorada antes.”
A citação “super empolgado” não combina muito bem com Pat, filho mais novo da lenda viva e tricampeão mundial Tom Curren, já que ele é bem quieto e não fala muito. Ele realmente parece bastante com seu pai em vários aspectos.
“Outra coisa legal em relação a surfar lugares assim é que enquanto você espera pelas ondas tem várias coisas diferentes acontecendo ao seu redor,” diz Pat. “Você não tem essa sensação quanto está surfando em casa, então o melhor a fazer é aproveitar tudo intensamente...”
Após um mês viajando conhecemos pessoas que nos ajudaram a entender melhor o significado da palavra felicidade. Talvez se pudermos aprender com elas, olhando melhor ao nosso redor e valorizando as pequenas coisas, nosso destino pode nos levar a encontrar mais ondas perfeitas como essa.
Era como se nós estivéssemos protegidos, aproveitando dia a dia as boas vibrações de Ram e Kishore. Nunca esqueceremos desses dois guias locais que fizeram muito por nós. Ninguém se machucou, ninguém ficou doente, ninguém foi roubado. Talvez a sorte tenha andado ao nosso lado durante toda a viagem. Encontramos ondas nunca antes surfadas, picos que sempre quebraram sem ninguém por perto e por isso, somos gratos. Muito bom Ted Grambeau, bela cartada...

“Fora de órbita…”

Após encontrarem uma esquerda perfeita e solitária logo no primeiro dia de expedição pelas “Ilhas Azul Turquesa”, Dillon Perillo, Luke Hynd e Pat Curren se organizaram para seguir viagem até outra ilha que eles nunca tinham ouvido falar. A ansiedade deles em relação ao que poderia acontecer em mais uma ilha isolada logo foi superada pelas informações certeiras de dois guias e intérpretes locais, Kishore e Ram, que os ajudaram a superar as complicadas barreiras burocráticas. Se passando por “pesquisadores científicos” para conseguir as licenças e seguir viagem, os rapazes partiram rumo ao horizonte da “Terra dos Branquelos”.

Legendas por Dave Sparkes. Fotografia de Dave Sparkes e Ted Grambeau. Video editado por Scott Mclimont e Tom Jennings.