Atawwwl no Pacífico

“Então cruzamos o Oceano Pacífico para chegar nesse atol (apelidado de Atawwwl por Dillon). Acredito que é um dos maiores recifes de coral do planeta e olhando através do Google Earth parece ser um local promissor com várias bancadas e muito potencial para ondas de nível internacional. Pelas fotos que recebi do pico parece ser um lugar paradisíaco de águas claras e praticamente inexplorado.
“Que pico de tirar o fôlego! A água é tão azul que podemos ver os peixes e raias nadando a mais de cinco metros de profundidade. Com certeza vamos encontrar boas ondas, mas o local é enorme e o vento não para… Precisaremos procurar uma bancada com a ondulação na direção certa e vento terral…”
Que pico de tirar o fôlego! A água é tão azul que podemos ver os peixes e raias nadando a mais de cinco metros de profundidade.
“Só há um vôo por semana para chegar e sair desse lugar. O fato desse pico ser tão misterioso e desconhecido é o que despertou em mim a vontade de me jogar nessa trip.”
“Havia uma bancada que formava uma lagoa do lado oeste e que tinha uma direita com grande potencial para surf de qualidade internacional. Mas as ondas não estavam quebrando na direção certa, então continuamos a procurar…”
A gente ficava imaginando as ondas que as crianças dessa região viam durante o dia-a-dia. A maioria da molecada que pega onda ao redor do mundo ficaria maluca com as condições de surf que existem por aqui no dia certo.
Elas pareciam felizes em estar do nosso lado enquanto a gente explorava a região ou parávamos para ver as condições das ondas no meio do caminho. “A galera local parecia feliz em nos ver por ali e foram super acolhedores, mesmo em meio a vida simples que tinham…”
A molecada se empolgou com a presença de Dillon Perilo na área e deram um jeito de se envolver com a ação que acontecia dentro d´água.
“Quando você está na busca por ondas inexploradas é preciso confiar em informações de pessoas que você nunca ouviu falar. Eu desisti de algumas competições para poder participar dessa expedição. Provavelmente eu nunca mais voltarei para esse pico, por isso não poderia perder essa oportunidade, já que existe um sentimento especial ao buscar algo que você não tem certeza que vai encontrar.”
“Por aqui o telefone celular não funciona e os emails demoram cerca de 45 minutos para chegar. É um lugar bem pacato… Não estar conectado na Internet significa uma coisa. Você terá bastante tempo para ler e durmir bastante. É um ritmo de vida diferente onde você pode relaxar e esquecer um pouco do mundo.
Na foto, a hospedagem 5 estrelas do Dillon! Bom, na verdade, 1 estrela… Mas olha que final de tarde!
Depois de um certo tempo eu queria dividir as ondas com alguém. Então chamei os filmakers Nick e Jon para surfarem comigo. Eles ficaram amarradões com o convite, pois normalmente eles só ficam trabalhando enquanto os atletas se divertem…”
“Surfei algumas boas ondas com o Dillon,” disse o filmaker Nick Pollet. “As ondas estavam difíceis, com forte vento terral e algumas sessões bem rápidas, mas Dillon estava quebrando e mandou muito bem naquelas condições”.
“A bancada de coral daquela direita era traiçoeira, com algumas sessões bem rasas, onde facilmente era possível atingir o fundo com as quilhas. Não tenho certeza se voltarei a surfar essas ondas, mas definitivamente foi uma experiência incrível.”
“Esse é o tipo de expedição que a grande maioria dos surfistas do planeta fariam de tudo para poder curtir essas ondas perfeitas.” disse o experiente fotógrafo Ted Grambeau que já esteve em mais de 100 países cobrindo as viagens do projeto The Search.
Como estava o tempo? “Super quente e com muito sol. Eu preciso levar mais protetor solar na próxima viagem!”
Após oito dias e com apenas um vôo por semana para voltar, nós deixamos a última palavra para o renomado filmaker Jon Frank, que também já esteve em diversas expedições do projeto The Search. “Faça sua mala. Apenas uma mala. Trabalhe duro, guarde um pouco de dinheiro e faça uma viagem ao redor do mundo. Pegue sua prancha e vá em busca das melhores ondas ao redor do planeta. Quando você estiver remando rumo a mais uma onda da série, sem ninguém por perto e sair do tubo no canal com as mãos para cima após aquela baforada nas costas, tudo fará sentido…”

Com um swell consistente de 8 pés prestes a atingir a famosa Costa Norte da Ilha de Oahu, decidimos olhar um pouco mais adiante para rastrear seus movimentos rumo a um local remoto a muitos quilômetros de distância das famosas e crowdeadas ondas Havaianas.

Em meio a toda movimentação e expectativa que antecedia a chegada desse swell, saímos a procura de alguém disposto a deixar o crowd para trás e encarar algumas horas de vôo rumo a um lugar com tubos cristalinos e solitários.

Após poucos minutos de procura, um candidato apareceu. Parte vagabundo, parte bon vivant, o californiano Dillon Perillo ficou interessado em se atirar sozinho nessa jornada que poderia ser épica, ou apenas uma grande roubada…

“Essa pode ser uma oportunidade única! Poucas pessoas tem a chance de deixar alguns compromissos de lado e partir rumo ao desconhecido. Sempre existe a chance de encontramos algo novo e especial. Estou na disposição de partir em mais essa expedição do projeto The Search e ver o que encontraremos por lá.” – Dillon Perillo